Ela tinha medo. Muito medo. A vida atormentava-a e nada a parecia sossegar. Já não sorria, não falava. Ela dizia: "para quê, se ninguém realmente se importa?".
As paredes do seu quarto, cor de rosa bebé, eram as suas melhores amigas. Cobertas de frases que respiravam esperança, mas esperança era coisa que ela tinha deixado de ter há muito. Não haviam espelhos nessas paredes e ela desejava que não houvessem janelas. Ela gostava de estar isolada, sozinha. As olheiras eram enormes e sempre negras, da cor sua vida, das noites habitualmente em branco. Olhava para os seus pulsos, acariciando-os com um dedo. Pensando que poderia rebentar, não sabendo bem como, mas com desejo de o fazer, diversas veias e esvair-se em sangue, talvez. Oh, havia algo que a sossegava: o suicídio.
