18.6.12
17.6.12
o amor mudou-me
De cigarro na mão, as manhãs de outono começavam sempre assim. O isqueiro vermelho ia para a mala, quando o fumo do cigarro começava a dançar com o vento. Descia as ruas estreitas da cidade que acolhia velhos e novos, com o seu coração enorme. Ia ao café da esquina, onde o senhor de meia idade já sabia o meu pedido: um café curto e um pastel de nata. Os meus pequenos almoços não demoravam mais de dez minutos, pois eu corria sempre contra o relógio. Punha os óculos redondos da minha avó, agora meus, e continuava a descer as ruas estreitas da cidade. Cumprimentava a maior parte das pessoas com o meu sorriso e já toda a gente sabia que era eu.
Achavam-me vulgar. De cabelos castanhos e olhos cor de mel. Pele branca. Vestimentas normais para uma rapariga de uns singelos vinte anos. No entanto, achavam a minha personalidade estranha. Recatada, mal falava. A maior parte das vezes, respondia com sorrisos ou com olhares profundos. Até que encontrei o amor nas ruelas da cidade. Os cigarros eram fumados à pressa, os pequenos almoços passaram a demorar vinte minutos e passei a pedir coisas diferentes no café da esquina. Os sorrisos transformaram-se em risos estridentes e os olhares tornaram-se ainda mais profundos. Passei a cumprimentar as pessoas com um bom dia e com um sorriso verdadeiro. A cama passou a ser estreita demais nas noites em que dormia com o dono do meu coração e o sofá adaptou-se aos nossos corpos. O amor mudou-me.
Achavam-me vulgar. De cabelos castanhos e olhos cor de mel. Pele branca. Vestimentas normais para uma rapariga de uns singelos vinte anos. No entanto, achavam a minha personalidade estranha. Recatada, mal falava. A maior parte das vezes, respondia com sorrisos ou com olhares profundos. Até que encontrei o amor nas ruelas da cidade. Os cigarros eram fumados à pressa, os pequenos almoços passaram a demorar vinte minutos e passei a pedir coisas diferentes no café da esquina. Os sorrisos transformaram-se em risos estridentes e os olhares tornaram-se ainda mais profundos. Passei a cumprimentar as pessoas com um bom dia e com um sorriso verdadeiro. A cama passou a ser estreita demais nas noites em que dormia com o dono do meu coração e o sofá adaptou-se aos nossos corpos. O amor mudou-me.
10.6.12
Nunca quisémos ver o mar ao amanhecer do sol com medo do frio. Nunca quisémos fazer algo muito romântico com medo do amor. Com medo do amor... Eu não tive medo e as rosas acabaram por murchar e morrer. A branca neve caía e cobria as rosas, murchas, sem cor. Cobria-me a mim. Cobria-me a vida.
Todos ao calor das lareiras faziam a contagem decrescente, "dez, nove, oito" e eu sentia um sorriso nos meus lábios, à medida que pegava no copo de champanhe. "sete, seis, cinco"... estava cada vez mais perto. "quatro, três, dois, um"... "zero". O fogo de artifício fazia-se ouvir lá fora e abri as persianas para o poder ver. Amarelo, azul, vermelho... cores da vida. Brindei ao novo ano e beijei as faces quentes de quem mais amo.
O sol emergia como se estivesse por baixo de nós e via a neve ficar com um brilho especial. A neve ia derretendo, agora de um tom avermelhado. O nosso amor tinha-se esvaído.
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