1.12.10

Desafio - Abecedário - dia 17

Letra R - Ruiu


(...) e os meus olhos olhavam-te, tentando te dizer, com a minha boca completamente congelada por não me dares o beijo de despedida, para não ires embora.
as noites que passámos em frente da nossa lareira, tapados pelos nossos lençóis, naquela única divisão que era a nossa casa.
os dias, que pareciam infinitos, que passámos os dois de costas voltadas, para parecer uma cadeira, a ler livros e revistas, mas nunca chegámos a lê-los por completo, pois acabávamos sempre enrolados no nosso colchão enquanto o chão rangia.
eram aquelas 24horas que me mantinham viva, sorridente; essas 24horas que não fazíamos praticamente nada, ficávamos a olhar um para o outro e eu admirava a tua beleza de anjo, o teu corpo esbelto e perfeito (enquanto te despia com os meus olhos cor de cacau) e analisava cada traço do teu rosto, que ia desenhando na minha mente como o 1º plano do meu desenho.
mas tu partiste e agora a nossa suposta casa, está mais fria do que nunca. nunca mais acendi a lareira - ela para mim, significava a chama do nosso amor. cada vez que me deito naquele nosso colchão, sinto-o frio, e cada vez mais frio, a cada dia que passa. todos os dias, num papel, costumava marcar com traços à quantos dias me deixaste, mas deixei de os contar, porque já não interessa; não interessa à quantos dias partiste e ter esperança de que voltes, um dia.
deixaste apenas uma fotografia, mas também me deixaste a mim e, comigo, todas as memórias.

não devo de sair de casa à meses, estou com a mesma roupa desde o dia em que me deixaste e a minha cara continua a mesa desse dia: frágil e triste; não como desde à dois dias para cá, pois pretendo torturar-me e pensar "que mal fiz eu para me deixares sozinha?"
tudo o que faço me recorda de ti.
juntos, fomos tudo e nada, agora, tu és tudo e eu... sou nada.

ps: este texto não tem nada haver com o meu estado de espírito, é apenas um texto criativo.

30.11.10

talvez isto a ti não te doa por dentro, mas a dói de uma maneira inexplicável.
eu não quero que isto aconteça, de novo. não, não com uma pessoa que é tão importante na minha vida.
apetece-me ir ter contigo, agarrar-me a ti, dar-te um grande abraço... apetece-me ter aquela relação que costumávamos ter diariamente, enquanto cá estavas, que era tão fácil como o respirar, tão leve como uma pena e tão importante como um coração ou uns pulmões humanos.
eu faço de tudo, de tudo, para tentar que tudo na minha vida corra bem mas, por vezes, parece que há coisas que me escapam. não sei se tu és uma delas, mas eu não quero, não quero mesmo, que sejas.
tu foste, tu és e espero que sejas.

28.11.10

não tenho tempo, nem inspiração, nem vontade de escrever.
mas já comecei a fazer um texto para postar, por isso não se preocupem.